Lava minhas mãos


Irei tornar a te perguntar: "Tu me queres assim?"

  Já duvidei da minha serventia. Já te relatei minhas faltas para contigo, reclamei insistentemente meus absurdos e, no entanto, no fim das contas, parece que sou eu quem mais faz barulho. Tu, tens a capacidade de me fazer os teus desígnios sem mesmo que te seja necessário abrir a boca. Como uma criança sabe que desagradou a sua mãe pelo olhar que esta lhe dirigi, assim tu me faz saber o teu descontentamento. 
  Sei que uma mãe não pede a seu filho para tirar as roupas do varal se ele tem as mãos sujas de barro. E foi por isso que te confessei que minhas mãos eram sujas. Insisti dia após dia em te pedir: 

"Lava minhas mãos para que eu possa te servir"

Mas tu me respondeste: "Quem já está lavado, não precisa mais se lavar...exceto os pés."

E agora isto já não me é impedimento. Antes de tudo, o que me é necessário para servir, não é ter as mãos sempre limpas, mas o que me cabe é lavar os pés, nãos os meus, mas os do meu próximo. Para servir é preciso lavar os pés de alguém. Boa parte das vezes, isso implica ter de sujar as mãos na sujeira dos pés desse alguém. De que adianta lavar as mãos quando isso faz de você alguém como Pilatos?


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Um pecador salvo pela graça de Deus, esposo de uma mulher cuja alma é semelhante a um carvalho, psicólogo apaixonado pela psicologia de Fiodor Dostoievski, Ingmar Bergman e Andrei Tarkovsky.