Obrigados


  É necessário colidir. Os dias passam com velocidade descomunal e o costume de olhar pra trás me traz saudades e ao mesmo tempo me empurra com força pra frente. Eu sei que pelo menos uma vez na vida nós nos perguntamos se somos livres ou não. Faz algum tempo que a intelectualidade do século atestou a liberdade do homem à custa da morte de Deus. Todavia existe um terror nisso tudo. Basta apenas que deixemos um homem por conta própria ao encargo da vastidão do espaço sideral. Lá aonde se supõe não há gravidade divina que os prenda ao chão. Onde não há limites nem bordas.

  Boa parte da minha vida, eu passei sob a atmosfera dos meus pais. Mas os dias passam com velocidade descomunal e o costume de olhar pra trás me traz saudades e ao mesmo tempo me empurra com força pra frente. Vejo o azul do meu planeta familiar, lá aonde eu aprendi o que era a gravidade. Agora eu caminho na vastidão do espaço... embora ainda sinta a atração do lar, também sei que ela sempre existirá. Eu já sei... aqui onde estou, é necessário colidir para mudar de rota e adivinhe você com quem eu colidi. O Deus que os homens acreditam estar morto. Ele me encontrou quando eu estava perdido e se tornou meu caminho.

   Não há prazer na liberdade de voar quando também não há uma força que nos puxe para baixo. Ao contrário do que se pensa, não é a ausência de gravidade que faz de nós homens livres. Homens livres são aqueles que arriscam lutar contra a gravidade... Liberdade é voar, apesar da gravidade. Esse convite à liberdade foi o que tu me fizeste, lutar contigo, nos dois sentidos desta expressão: lutar ao teu lado como o rei Davi, lutar contigo madrugada adentro como fez Jacó em Peniel: “Tenho visto Deus face a face e a minha alma foi salva”. Eu precisei começar pela tua voz. Ela me fez existir, ela me trouxe até aqui. Agradeço e dedico isto a ti: Javé, meu melhor amigo, meu pastor e também Deus do meu viver.

   Depois... Eu nasci menino. De um lado filho de uma pescadora com quem aprendi a mais pura filosofia. Do outro lado, filho de um catador de caranguejo com quem aprendi a contar histórias. Ambos lançaram alicerces para aquilo que hoje eu chamo de psicologia. Entretanto, a primeira pessoa a me ensinar psicologia de fato foi Tyta Monte, minha irmã caçula. Ela desde sempre soube da minha “anormalidade” e foi ela quem me acolheu em minhas neuroses e crises existenciais. Foi ela a primeira pessoa que escutou a minha angústia de estar no mundo, pela primeira vez. Agradeço e dedico também este momento à Lívia Viana, expressão da beleza da vida, presença fiel nas mais árduas distâncias, árvore de caule imponente contra as ventanias. Obrigado por esperar, embora algo me diga que isso esteja perto de não ser mais necessário. A estes também se somam os meus amigos-irmãos, que juntos me ajudaram a construir este altar chamado psicologia.

    Não poderei aqui mencionar a todos pela velha justificativa de não lembrar-me de alguns, todavia existem aqueles a quem não posso esquecer-me de mencionar. Agradeço a Jeferson Menezes simplesmente pelo que és. Nada além disso, apenas isso basta. Sem sombra de dúvidas o melhor presente de Deus para mim quando eu me vi em uma terra desconhecida. Obrigado pelo companheirismo, a quem chamo de amigo. Agradeço a Washington Nascimento e Milena Nascimento, Lucas Nicolau, Marina Ribeiro, Thallyssa Alves, Thamyres Cristhina e Emanuella Caldas por serem aqui a minha primeira família, não apenas de amigos, mas de irmãos mesmo.  Sinto-me em débito por todas as vezes que vocês insistiram e lutaram para tirar de dentro de casa um bicho amuado e retraído como eu era. Por investirem em mim crédito, orações, cuidado, zelo, admiração, incentivo, confiança, paciência, carinho e amor. Agradeço por cada madrugada regada a café, pelos almoços de domingo, pelas pizzas de sábado. Deus esteve em nosso meio e Ele era o nosso centro o tempo todo e em todo tempo. Agradeço também aos meus companheiros de estrada, pessoas como Roberth Franco, em cujas mãos repousam a arte de criar fontes de águas cristalinas e também buracos negros; Rita Simone cujas bochechas encantam o dia de qualquer um; Darlene Santos, cuja beleza parece sempre está na iminência de se revelar ainda maior; Andressa Carvalho, por me deixar me encontrar com a sua alma musical; Paloma Castro, pela peculiaridade de sua beleza e pelo poder de nos convencer de sua raridade e nos deixar a vontade com isso em apenas um gesto seu; à minha querida Nádia Caroline pela sua capacidade de vencer o mundo com o menor de seus sorrisos; à Glysa Meneses, por me deixar ver a sua estrela nascer em meio ao caos; à Thaís Lima, por me ensinar a não temer pela sensibilidade dos nossos olhos, mas antes, a nos apropriarmos de nossas lágrimas, pois elas são nossas e de mais ninguém; à doce e única Renata Albuquerque, pela força de sua discrição, pelos sorrisos acolhedores; e, sem sombra de dúvida, à Hérica Souza por me presentear com fotografias e espelhos.

   Não posso esquecer-me da moça chamada Suzy Tiberly. A pessoa que me encontrou e (a)colheu-me em seu jardim, quando eu estava entristecido e arredio. Antes de dizer que Deus coloca pessoas em nossos caminhos, prefiro acreditar que Ele proporciona encontros. Não me esqueço do nosso encontro minha querida. Agradeço também à Savanya Shell, pelo vírus que foi, pelo vírus que é. Ao menino Pedro Victor, pelos plantões no “banco da reflexão”, à Fabizinha pelas músicas mais contemporâneas.  Agradeço aos meus mestres por serem de fato mestres. Antes de tudo à minha orientadora que além de me orientar, me adotou. Seu cuidado e respeito, seu rigor oriental e sua ternura foram o solo enriquecido onde eu tive liberdade de germinar com este trabalho. Imenso sentimento de Gratidão a você, Bianca Tokuo.  Agradeço também ao professor Jean Marlos, por me acompanhar de longe, por acreditar de perto. Ao mestre Dimitri Carlo pelas ricas lições na clínica, e na vida. A Estefânea Gusmão e a Sandra Freire por direta ou indiretamente darem guinadas positivas em minha vida, vocês me ensinaram sem lançarem mão de alardes teóricos. Agradeço com orgulho à minha terapeuta Mharianni Ciarlini, pelas intervenções “floydianas”. À minha cara e única Maria, mulher doce e de sorriso persistente. Obrigado Maria, por lavar minhas roupas durante esses cinco anos, para minha vergonha. Enfim, obrigado, à Primeira Igreja Batista, minha igreja, meus líderes e amigos queridos Herbert e Val e aos meus pastores Ricardo & Alba Sena e Antonio Sérgio & Noeme Vieira.

Comentários

  1. Texto lindo e de uma sensibilidade singular, sua, Neemyas! Foi uma honra trabalhar com você. Muito sucesso na caminhada! Um abraço!! :)

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  2. Acredita que só agora li? Porque queria ler com a calma que merece. Quero te parabenizar por essa etapa concluída e te dizer que eu que agradeço por todo apoio que tu me deu nos primeiros e mais difíceis dias. Nunca esquecerei da tua amizade, das nossas conversas, diferenças e devaneios na varanda, no ônibus, na caminhada até a sala. Sou muito grata pelo tempo que tivemos juntos e por tudo que aprendi contigo.

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Um pecador salvo pela graça de Deus, esposo de uma mulher cuja alma é semelhante a um carvalho, psicólogo apaixonado pela psicologia de Fiodor Dostoievski, Ingmar Bergman e Andrei Tarkovsky.