Your body, my rules



   Tirania travestida de feminismo... abre a boca sob o pretexto da libertação, mas o discurso, curiosamente é de opressão? É aquela história antiga de que quando a educação não é libertadora o oprimido deseja ser o opressor...E então surge o decreto: "A sociedade fez isto com você...deixa que eu te liberto". Mas isto não seria subestimar a capacidade feminina de pensar, de escolher ou de ser quem ela deseja ser? Aonde foi parar a história do "não importa o que fizeram com você, o que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você"? Já sei...é que a primeira providência do(a) politicamente correto(a) é se oferecer como salvador(a). O vitimismo se encarrega de justificar a má-fé. "Perdoa-lhes mãe, pois elas nunca sabem o que fazem"... "Escuta menina, deixa eu te dizer o quê e como deve ser uma mulher!" - Diz a libertadora. 

   "Your body my rules", este é o (v)nosso chamado, mas...não depile suas axilas, nem suas pernas, deixem a barriga crescer e ficar flácida, jogue fora seus apetrechos de vaidade, pois a sociedade te ensinou a gostar disso, não percebes? Pobre menina, tão ingenua... não sabe sequer o que gosta! Deixa que eu te salvo dessa ditadura da beleza... Mas não use batom, não tire os cravos, não use qualquer forma de desodorante ou perfume, seus seios devem ser irregulares, pois isto é o natural. Ahhhhh...o natural, e aí se apela para o naturalismo das coisas, a mulher se torna coisa e não mais possibilidade de ser o que ela deseja ser, pois entificar é sempre mais fácil. A mulher vira conceito no útero de uma ideologia tão cruel quanto o machismo. 

   A militância feminista, no que diz respeito aos direitos e ao respeito à pessoa da mulher, precisa e deve continuar existindo. Mas às vezes tenho a impressão de que alguns posicionamentos tentam fazer do feminismo um mero negativo do machismo. Como se fosse uma "ideologia da birra" que não quer criar e nem abrir espaços, mas fazer do feminismo um avesso do machismo. Eu, particularmente, não acredito que homens e mulheres sejam iguais. Perante a lei são ou pelo menos devem ser, razão pela qual o feminismo, mais uma vez, deve permanecer. Mas não creio que esse caminho seja pela via da homogenização dos sexos, caso contrário estariam atestando a teoria de Freud de que a mulher tem inveja do pênis do homem. Se a mulher, ou melhor, se as mulheres são felizes em suas peculiaridades enquanto mulheres, não precisam ser iguais aos homens. 

   E aí se quer fazer revolução com (e não das) mulheres à custa dos homens, sem lembrar que a mulher é o desejo do homem e o homem o desejo da mulher, pois não há mulher sem homem e nem homem sem mulher. E nesse momento nem passa pela minha cabeça o aspecto biológico, mas o devir... pois o devir de um está no outro, assim como a morte está na vida e a vida está na morte. Não se passa da noite ao dia com o ligar ou o desligar de um interruptor. Primeiro se escurece, primeiro amanhece, e aí a coisa vai clareando ou anoitecendo. Não há libertação feminina sem libertação masculina, não há libertação masculina sem libertação feminina. Revolução de mão única tem nome certo, tirania. Quem pensa em construir uma escada precisa no mínimo de dois degraus...




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Um pecador salvo pela graça de Deus, esposo de uma mulher cuja alma é semelhante a um carvalho, psicólogo apaixonado pela psicologia de Fiodor Dostoievski, Ingmar Bergman e Andrei Tarkovsky.