Veruca Salt e o teste da noz


  Há pouco mais de 10 anos atrás o cinema ganhava uma nova adaptação de “Charlie and the Chocolate Factory”, mais conhecido no Brasil como “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Ver algumas de suas cenas me fez recordar da primeira versão do longa-metragem que assisti quando ainda menino. Lembro-me do sentimento confuso que me habitava diante de tanta fantasia, magia e, também de tragédia. Não podia compreender como uma história tão deliciosa quanto chocolate poderia preparar desfechos tão terríveis para aquelas crianças. Só depois de crescido entendi que aquela era uma história sobre relacionamento entre pais e filhos, uma história sobre família, sobretudo a família de Willy Wonka.

  Nesse contexto, uma personagem em especial me veio à memória. Tratava-se de uma garotinha chamada Veruca Salt. Para quem não conhece a história Veruca é uma garota rica e mimada que era atendida pelo pai em todos os seus desejos. Em certo ponto da história, depois de tentar roubar um dos esquilos da fábrica de chocolate, Veruca é submetida ao teste da noz boa-ruim. O teste era simples e quem o executava eram esquilos especializados em selecionar as nozes boas das ruins. Depois de dar um ou dois cascudinhos na cabeça de Veruca o esquilo percebeu que ela era uma noz ruim.

  A história de Veruca Salt nos traz, no mínimo, duas lições sobre frutificar em bondade na família. No evangelho de Mateus (7.18), Jesus ensina que conhecemos uma árvore pelos seus frutos. Uma árvore boa não produz maus frutos e, de igual modo, não pode um fruto bom nascer de uma árvore má. Mas o que faz de uma árvore uma árvore boa ou má? Ora, o solo no qual ela está plantada! Se o solo for bom, esta será uma boa árvore e ela frutificará, tal como nos ensina a parábola do semeador (Mateus 13.23). De igual modo, a família que tem prazer na lei do Senhor é semelhante à árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu devido tempo (Salmos 1:3). Os filhos não podem ser bons frutos se os pais não estão enraizados em Cristo. Acho que pai de Veruca, por exemplo, não estava enraizado em Cristo. Portanto, para dar bons frutos é necessário que esta família esteja arraigada e alicerçada em amor (Efésios 3.17). Mas e agora, como podemos saber se um fruto é bom ou ruim?

  Ora, quem costuma ir à feira sabe algumas artimanhas para conhecer a qualidade de um fruto, mesmo sem abri-lo. Eu particularmente atento para a cor, a textura, a consistência, o brilho e principalmente o cheiro. Todas estas coisas testificam a respeito da qualidade do fruto. Saberemos se somos bons frutos se existe em nós o brilho de Deus (Mateus 5.16). Saberemos se somos bons frutos se exalamos o bom perfume de Cristo (II Coríntios 2.15). Por fim, lembremos o exemplo de Veruca Salt. Sabemos que para descobrir se uma melancia está madura, nós fazemos o mesmo que o esquilo. É comum darmos alguns cascudinhos e ouvirmos o som que ela produz. E então...que som a sua cabeça produz quando Jesus lhe dá alguns cascudinhos? 

Neemyas Santos
29/05/2016
Texto originalmente publicado no boletim da Igreja Batista do Olho D'Água (IBOA)
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Um pecador salvo pela graça de Deus, esposo de uma mulher cuja alma é semelhante a um carvalho, psicólogo apaixonado pela psicologia de Fiodor Dostoievski, Ingmar Bergman e Andrei Tarkovsky.